Wednesday, February 16, 2011

De uma conversa à uma aventura.

Hoje eu estava andando por aqui com um grande amigo, o Nicolas.
Conversa vai, conversa vem e lembrei de uma historia, real, que se passou na epoca que eu trabalhava no aeroporto de Guarulhos.
Mudarei o nome da personagem dessa historia por questões éticas.
Em 1998 eu ainda trabalhava numa sala VIP de uma grande agência no aeroporto e também na compania aérea.
Certo dia, um dia como todos os outros, apareceu la na sala vip um rapaz, muito simples, pedindo informações de como ele poderia tirar um visto para ir aos Estados Unidos. Devido à aparência do rapaz, eu julguei que ele não teria condição de conseguir um visto, dado às rígidas exigências do consulado americano.
Mas me senti sensibilizado com a sua situação, então sugerí um acordo: se ele conseguisse um visto para os Estados Unidos, eu forneceria a passagem a preço reduzido pois eu tinha direito a retirá-las na minha cota de funcionário da compania aérea e além disso eu iria acompanhá-lo até o destino, assim eu teria um motivo pra dar uma volta na Flórida.
Eu imaginava que ele nuca conseguiria, mas para minha surpresa ele apareceu três meses depois com o visto.
Bem, só coube a minha pessoa cumprir com o acordo, então agendei umas folgas e marcamos a viagem.
Dei várias instruções a ele, inclusive quanto dinheiro que havia de levar e como se vestir.
Como iria usar aquele fim de semana para visitar a Flórida, convidei um amigo, supervisor do departamento, para irmos juntos.
No dia marcado, nos encontramos no aeroporto e ao ver o rapaz, ja fiquei preocupado, pois ele se vestia muito simples, totalmente incompatível com alguém que estaria viajando aos Estados Unidos, e a mala que ele escolheu, havia saído de um filme dos anos cinquenta e estava toda mofada.
Bem, o supervisor que estava viajando conosco já ficou aborrecido, pois ele já farejava futuros problemas na entrada aos Estados Unidos.
Ao chegar-mos no balcão da imigração americana, os agentes reteram o rapaz e consequentemente o supervisor, já que o rapaz ficou conversando com ele na fila, o supervisor ficou mais irritado ainda.
Quando pensavámos que tudo estaria resolvido ao sair do aeroporto, já que esperávamos que um familiar do rapaz estava esperando por ele, descobrimos que eram só o começo dos problemas.
O rapaz disse que havia perdido o o contato do suposto primo que deveria estar esperando por ele.
Bem,as coisas ficaram bem complicadas, tivemos que começar a resolver o que faríamos com relação ao rapaz já que ele não tinha recursos nem pra ficar uma semana em Miami. Arrumamos um quarto num hotel para passar o tempo, em segredo combinamos, eu e o supervisor, que iriamos mandar o rapaz de volta ao Brasil no vôo que sairia naquela noite para São Paulo.
Ao anunciar nosso plano, o rapaz bateu o pé e afirmativamente declarou que nunca voltaria ao Brasil, já que havia chegado até ali.
Estávamos descansando e ele foi dar uma volta pelo hotel, até que de repente voltou dizendo que um cara falando enrolado estava oferecendo uma proposta pra ele ficar na casa dele.
Descobri que o cara era o camareiro do hotel, um hispano que devido sua preferencia estava com segundas intenções com o rapaz.
As horas passavam e nossa resolução não havia mudado, foi quando novamente o rapaz apareceu ofegante diendo que havia conseguido um contato em Nova Iorque e que deveria embarcar urgente.
Então lá fomos nós correndo para o aeroporto e conseguimos comprar uma passagem de ultima hora e para despachar o rapaz para o destino final, foi uma correria pois o vôo estava saindo.
Corremos com ele para o portão de embarque e repetindo em voz alta como se falava "gate" "sixteen", j[a que ele não falava inglês e deveria fazer conexão em Atlanta.
Ficamos com o telefone da familia em Nova Iorque que era suposta a ir buscar ele no aeroporto e ligamos em seguida, a mulher do outro lado da linda disse em tom apavorado - Pelo amor de Deus moço, não deixa ele vir pra cá não, pois meu marido está doente e mal estamos conseguindo manter a casa aqui, quanto mais receber uma pessoa. Ai eu disse - Tarde demais ele já está voando para aí.
Soubemos depois, através do rapaz que ele ficou esperando por horas no aeroporto, foi mal recebido por aquela familia mas logo achou um quarto em outra casa, começou então sua vida, arrumou emprego na carpintaria e se deu bem.
Em 2000, quando eu decidi vir para os Estados Unidos, esse rapaz foi nos buscar em Newark, Nova Jersey e nos trouxe quatrocentos quilometros para a cidade de Worcester em massachusetts, foi um ato de gratidão extremamente apreciado.
Assim se encerra essa história, um acaso que  gerou essa aventura toda.

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